A ABOLIÇÃO DOS ESCRAVOS EM MARANGUAPE

CURIOSIDADE HISTÓRICA

                                         A ABOLIÇÃO DOS ESCRAVOS EM MARANGUAPE

 

                      Era o ano de 1881. No Rio de Janeiro, realizava-se uma conferência em prol da extinção do regime escravista. Um orador negro proferia um inflamado discurso, quando alguém o interrompe e passa-lhe um telegrama recém chegado. Era de Maranguape. José do Patrocínio não se contêm de emoção e logo toda a assistência se contagia com a notícia, Põe-se de pé e com vibrantes palmas e o brado “Viva o Ceará”, saúda a notícia da instalação em nossa cidade, a 26 de maio, do Primeiro Congresso Abolicionista do Brasil.

            O Congresso Abolicionista realizado em Maranguape instalava-se, assim apenas 25 dias após iniciados os trabalhos da SOCIEDADE LIBERTADORA MARANGUAPENSE. Era nossa cidade engajando-se no decisivo movimento que tomava conta de toda a província do Ceará.

            A diretoria dessa sociedade estava constituída pelas figuras ilustres de MANOEL GUERREIRO DE SOUZA PINHEIRO, como Presidente; JESUÍNO DE ALCÂNTARA VIANA, como Vice-Presidente; JOÃO SOMBRA, secretário; LUIZ FELIPPE CAVALCANTE, tesoureiro; GAUDÊNCIO NEPOMUCENO, Procurador; e como diretores: ANTÔNIO MAVIGNIER LOPES GAMA, FRANCISCO ANTÔNIO GOMES DA COSTA, JOSÉ TEIXEIRA PINTO, TERTULIANO CABRAL, ANTÔNIO RIBEIRO DO NASCIMENTO e JOAQUIM CORREIA SOMBRA.

                        Por ocasião da instalação do CONGRESSO ABOLICIONISTA, a 26 de maio, um trem expresso foi fretado pela redação do jornal LIBERTADOR, periódico de Fortaleza comprometido com a causa abolicionistaem nossa Província.Às 15 horas e 30 minutos as 123 pessoas que compunham essa caravana chegavam a nossa cidade sendo recebidas no desembarque pela diretoria da LIBERTADORA MARANGUAPENSE – tendo a frente o seu estandarte – e grande representação da sociedade local. Ali mesmo entoou-se o hino LIBERTADORA CEARENSE, congênere de Fortaleza.

            O cortejo dirige-se para o local do Congresso. Duas jovens conduzem enlaçadas as bandeiras das duas sociedades como símbolo da identidade de ideais. Acompanha uma banda de música. O povo está nas ruas e ovaciona. Que belo dia!

            Iniciam-se os trabalhos do Congresso. O Vice-Presidente da LIBERTADORA MARANGUAPENSE, após um expressivo discurso passa a presidência da solenidade ao Dr. FREDERICO BORGES, Vice-Presidente da LIBERTADORA CEARENSE que declara aberta a sessão solene do PRIMEIRO CONGRESSO ABOLICIONISTA DO BRASIL. Improvisa um discurso e é calorosamente aplaudido.

            O SR. ANTÔNIO MAVIGNIER LOPES GAMA, após usar da palavra, apresenta sua filha D. CARLOTA MAVIGNIER, que passa a ler a carta de alforria de uma escrava de nome EDUWIRGES. A platéia delira. A banda de música inicia os acordes do hino da LIBERTADORA CEARENSE e os presentes, contagiados pela súbita emoção, forma um coro, uníssono com a melodia e afinado com os ideais dos libertadores.

            Seguem-se poesias e discursos de representações da Libertadora Baturiteense, a mais antiga do Ceará, pois que data de 25 de Maio de 1870, do orador oficial da Libertadora Maranguapense, da Libertadora Granjense, da Libertadora Icoense. Antônio Mavignier entusiasma-se e volta a proferir outro discurso. O professor Francisco de Oliveira Conde engaja-se na euforia dos oradores e mais um discurso marca a decisão dos libertadores em erradicar de nossa terra a instituição que mais compromete os desígnios de nossa gente.

            Ao término da sessão, todos os presentes ao congresso engajam-se numa passeata pelas ruas da cidade. É na praça principal – esta praça! – que um dos mais decididos libertadores do Ceará – JOSÉ JOAQUIM TELES MARROCOS – pronuncia um de seus mais vibrantes discursos. Naquela multidão estava um farmacêutico ainda jovem que rebusca no coração suas convicções abolicionistas e as explode numa vibrante oração que faz das palmas da platéia a consagração do orador PEDRO SOMBRA.

            Os congressistas de Fortaleza e das outras cidades comprometidas com os anseios de libertação dos negros escravos permanecem em Maranguape até dez e meia da noite. Fora-lhes oferecido um sarau dançante e ao partirem de nossa cidade, levam consigo a melhor das impressões e acima de tudo o compromisso sincero do nosso povo com o engajamento na causa da abolição.

            Dois anos ainda se passariam antes que os louros da vitória coroassem os nossos idealistas, mas o calendário, em sua marcha inexorável, logo colocaria diante desses decididos homens a memorável data de 20 de Maio de 1883. Então nesse dia de Maracanaú à Taquara e do Jaçanaú à povoação de Cruz, ecoou enfim a proclamação:

 

                   “EM MARANGUAPE, NÃO MAIS EXISTEM ESCRAVOS!”

 Autor desconhecido

Observatório de Políticas Públicas de MaranguapeA ABOLIÇÃO DOS ESCRAVOS EM MARANGUAPE

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