SEVERINO SOMBRA DE ALBUQUERQUE

FILHO ILUSTRE DE MARANGUAPE

          

                                               Severino Sombra de Albuquerque

             

     Nascido no Ceará, na cidade de Maranguape, filho da tradicional família do Coronel Joaquim José de Sombra Souza, atuante político na região. Recebeu em sua formação, influência direta da Tia Maroca e, já aos treze anos, lia os mais variados clássicos e toda a Biblioteca Internacional de Obras Célebres, composta de vinte e quatro grossos volumes, para seu tio João Sombra que, devido a uma paralisia, ficou impossibilitado de exercer a paixão pela leitura.

Sua vida foi marcada por intensa atividade na política regional e do País, o que foi considerado incompatível com sua formação militar. Tido como "perigoso" à Ordem Nacional foi, juntamente com vários companheiros, exilado para Portugal. Na sossegada Coimbra dedicou-se totalmente ao aprimoramento de sua formação. Lia, desde filosofia pura aos famosos clássicos, empenhando-se nos estudos econômicos, o que o levou a publicar o primeiro livro de História Monetária do Brasil. Os estudos permitiam minorar a saudade do país e dos familiares.

Sempre atento à política, mantinha contato permanente com os grandes pensadores brasileiros e buscava em "seus sonhos" a melhor forma de servir ao país, logo que sua condição de exilado lhe permitisse. Nasceu assim, a idéia da "Coimbra Brasileira", ou seja, instalar numa pequena cidade, um centro de estudos, onde todos pudessem desenvolver a livre capacidade de pensar e agir. Era preciso proporcionar à juventude brasileira condições de formar líderes cultos, capazes de corresponder à grandeza da Nação.

Depois de superar, heroicamente, todas as condições adversas do exílio, Severino Sombra volta ao Brasil. Afastado da vida militar, passa à condição de reservista. Estes acontecimentos criaram uma capacidade de luta invejável e, para ele, não existiam mais obstáculos. Resgatando suas palavras, fatores considerados como "aqueles que vem do além" o trouxeram a Vassouras. Encantado com os palacetes abandonados, vestígios da cultura cafeeira, fizeram brotar, neste "aventureiro cearense", idéias, a princípio contestadas, mas que serviram de incentivo para abraçar uma luta insana que transformaria "o sonho utópico" em incontestável realidade.

Desacreditado, pela população, não esmoreceu um minuto sequer. Após dezenove anos de luta conseguiu a cessão de uso do Palacete Barão de Massambará, que relegado ao abandono, ameaçava ruir. Nele havia funcionado o Colégio Thiago Costa, e servido de sede ao DNER, por ocasião da construção da BR-393, que liga o importante eixo Rio de Janeiro x São Paulo e Rio de Janeiro x Bahia, unindo Três Rios à Barra Mansa. O Palacete passou aos cuidados da Fundação Educacional Severino Sombra, que após inúmeras reformas o salvou das ruínas, voltando assim "o vetusto solar ao seu digno uso", conforme declaração da museóloga Maria Jacobina Vasconcelos e do arquiteto Gustavo Rocha Peixoto. Ali foi instalada sua primeira Faculdade, a de Medicina, onde funcionou por quatorze anos. Era o primeiro grande passo para a nascente Universidade Severino Sombra! A luta por recursos tornava-se cada vez mais intensa, mas nada arrefecia o empenho deste homem que viria transformar "A Princesinha do Café" na "Coimbra Brasileira". Começa a ser cultivada em seu solo, a semente da cultura. Algum tempo depois foi comprada a chácara Visconde de Araxá, onde seria erguido o primeiro Campus Universitário. Situada no centro da Cidade, à margem da extinta via férrea e em total abandono, nada mais pôde ser feito para sua recuperação. Modernos blocos de edifícios começaram a ser erguidos, para abrigar novos Cursos: História, Geografia, Pedagogia, Letras, Física, Química, Matemática. Biologia, Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica, Enfermagem, Administração, Sistemas de Informação, Fisioterapia, Odontologia e Farmácia e Bioquímica. A obra crescia a olhos vistos e, em 1992, surgiam as Faculdades Integradas Severino Sombra que logo dariam lugar à Universidade.

O Professor Severino Sombra deixou, para aqueles que tiveram o privilégio de conviver com ele, um exemplo de vida: a paixão pela leitura, firmeza de caráter, capacidade de trabalho, teimosia e tenacidade, elementos indispensáveis para aqueles que ambicionam grandes realizações. Os obstáculos eram para ele, o trampolim para vôos mais altos. Suas noites mal dormidas eram aproveitadas para planejamentos e soluções de problemas. Seu amor pela vida, fizeram-no frequentador assíduo de atividades culturais, científicas e sociais. Este "jovem", deixou - nos para sempre aos 92 anos, em 12 de março de 2000, numa manhã de domingo, repentinamente, como era seu desejo. 

Observatório de Políticas Públicas de MaranguapeSEVERINO SOMBRA DE ALBUQUERQUE

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